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	<title>TRADIÇÕES AÇORIANAS &#187; Carmen Ponte</title>
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	<description>TRADIÇÕES AÇORIANAS : EVOLUÇÃO HISTÓRICA</description>
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		<title>O Cancioneiro dos Romeiros de São Miguel</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Apr 2016 08:20:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmen Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cancioneiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Este trabalho de investigação encontra-se publicado na obra “Ao encontro das tradições orais na prática Romeiros de São Miguel.” In Funk, Gabriela, Estudos sobre Património Oral, Ponta Delgada : Câmara Municipal de Ponta Delgada, 2007, pp. 145-170.
O conhecimento transmitido pela oralidade ainda se encontra presente na ilha de São Miguel (Açores) através, por exemplo, de tradições populares de índole religiosa, como os foliões do Espírito Santo, as cavalhadas de São Pedro, bem como os contos, as lendas e as histórias populares, o romanceiro micaelense, entre outras. A prática actual dos Romeiros de São Miguel, que outrora se designava por Visita às casinhas de Nossa Senhora, apresenta também aspectos de tradição oral. Alguns dos cânticos e orações destas romarias continuam a ser transmitidos de velho mestre a aprendiz ou de pai para filho. Neste contexto pretende-se expor algumas das tradições que fazem parte do património oral desta prática ancestral. Foi a partir de algumas horas de convívio com diversos mestres, romeiros e membros do grupo coordenador das romarias que pude reunir um conjunto de sentimentos e de histórias vividas pelos mesmos enquanto peregrinos.
 <a href="http://www.tradicoes-acorianas.com/o-cancioneiro-dos-romeiros-de-sao-miguel/">Ler mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Introdução</strong></p>
<p>Antes da invenção da escrita, todo o saber era transmitido oralmente. A memória humana, sobretudo a auditiva, constituía o único recurso de que dispunham as culturas orais para a transmissão de conhecimentos. Neste contexto, a inteligência estava intimamente ligada à memória, daí os mais velhos serem reconhecidos como os mais sábios, por deterem um conhecimento acumulado, advindo da experiência. A figura do “mestre”, isto é, aquele que transmite o seu ofício, também exercia um papel fundamental nestas sociedades orais.</p>
<p>O conhecimento transmitido pela oralidade ainda se encontra presente na ilha de São Miguel (Açores) através, por exemplo, de tradições populares de índole religiosa, como os foliões do Espírito Santo, as cavalhadas de São Pedro, bem como os contos, as lendas e as histórias populares, o romanceiro micaelense, entre outras. A prática actual dos <em>Romeiros de São Miguel</em>, que outrora se designava por <em>Visita às casinhas de Nossa Senhora</em>,apresenta também aspectos de tradição oral.</p>
<p>Podemos definir os Romeiros de São Miguel como grupos ou ranchos de penitentes que, durante uma das semanas da Quaresma, percorrem a pé a ilha de São Miguel, visitando todas as igrejas e ermidas onde se encontra exposta a imagem da Virgem Maria. (cerca de 100 templos). Os ranchos de Romeiros constituem-se por freguesia, possuindo uma dimensão variável.<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn1">[1]</a></p>
<p>Esta manifestação, que outrora se praticava exclusivamente no mundo oral e rural, foi sofrendo várias alterações com a evolução da sociedade micaelense, nomeadamente a passagem de prática autónoma e popular a movimento de cariz pastoral, na segunda metade do século XX. De facto, em 1962, o primeiro regulamento escrito é publicado pela Diocese de Angra, verificando-se, assim, a transição de um costume oral para uma tradição de escrita, instituída pela Igreja.<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn2">[2]</a></p>
<p>Não obstante, alguns cânticos e orações continuam a ser transmitidos de velho mestre a aprendiz ou de pai para filho, encontrando-se ainda hoje bem vivos nas romarias.</p>
<p>Neste contexto pretende-se expor algumas das tradições que fazem parte do património oral desta prática ancestral. Foi a partir de algumas horas de convívio com diversos mestres, romeiros e membros do grupo coordenador das romarias que pude reunir um conjunto de sentimentos e de histórias vividas pelos mesmos enquanto peregrinos.<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn3">[3]</a></p>
<ol>
<li><strong>1. </strong><strong>Os Mestres Romeiros: cantadores e improvisadores do passado</strong></li>
</ol>
<p>Com a introdução de um regulamento escrito em 1962 (actualizado em 1989 e 2003) e a criação de um grupo coordenador, as romarias tornaram-se numa prática organizada e orientada não só pelo mestre de cada rancho, mas também e, sobretudo, pelo chamado grupo coordenador que tem como função “a superintendência geral do Movimento « Romeiros de São Miguel ». Incumbe­?lhe, ainda, a responsabilidade de cooperar na criação e organização dos Ranchos de Romeiros nas Paróquias da Ilha de São Miguel que nunca os tiveram, ou nas situações em que o Rancho não tenha saído nos últimos seis anos, ou provenha da diáspora.” (Diocese de Angra, 2003 : 45) Para além disso, compete ao grupo coordenador ajudar os responsáveis na escolha do acolhimento e pernoitas nas Paróquias e na garantia da Missa diária e respectivo horário<strong>.</strong></p>
<p>Antes da criação deste grupo coordenador, era o mestre quem orientava o rancho e tomava as decisões. Acessível a todos, as suas ordens eram, no entanto, inquestionáveis. O referido poder de decisão e liderança verifica-se ainda nos nossos dias, se bem que partilhado pelo grupo coordenador das romarias. Como testemunha Fernando Maré, o Mestre continua a ser o principal orador do rancho:</p>
<p>Mestre Fernando Maré<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn4">[4]</a>: (…) Na maior parte dos ranchos, o orador é o mestre, desde que seja uma pessoa que seja capaz. O mestre também para ser obedecido por todos tem que ser uma pessoa também que se imponha naturalmente na liderança, e regra geral o mestre é o principal orador e até que as orações principais é sempre o mestre que as faz, mas nalgum rancho até nem é, têm os seus oradores, uns mais que outros, consoante a capacidade de cada um e o mestre é que vai dizendo quem faz a oração aqui, ou acolá.<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn5">[5]</a></p>
<p>Se, actualmente, cada rancho é composto por vários membros com funções bem definidas, como o contramestre, o procurador das almas, o lembrador das almas, os guias, o cruzado e os ajudantes, é provável que outrora o mestre fosse o único responsável pelo desempenho de todas estas funções. Com o evoluir das romarias e a necessidade de partilhar várias tarefas ao longo da caminhada, estas figuras acabaram por se destacar no rancho.</p>
<p>Um bom mestre de romeiros caracteriza-se não apenas pela orientação do grupo, mas também pelos seus dotes vocálicos e poéticos. A este respeito, o actual presidente do grupo coordenador dos Romeiros, o senhor Carlos Sousa Melo informa:</p>
<p>Carlos Sousa Melo : Os mestres são recrutados ou eram naquela altura entre cantadores populares porque, conhecendo e de algum modo conheciam, a Bíblia, coisas da Bíblia ligadas a Deus, eram repentistas<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn6">[6]</a> nas orações que faziam à frente às Igrejas, ermidas …<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn7">[7]</a></p>
<p>Os mestres eram, até meados do século XX, autênticos poetas e cantadores populares porque provinham de um meio sobretudo rural e popular. Relendo um conjunto de visitas pastorais de algumas paróquias da ilha de São Miguel, verificamos que as romarias se encontram mencionadas, pela primeira vez, nestes textos visitacionais, que datam de 1705 e de 1707. Convém sublinhar que a referência a essas manifestações religiosas surge em todos os livros das visitas feitas nesses anos às diversas paróquias da ilha, o que nos leva a crer que as romarias<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn8">[8]</a> eram uma prática comum. Actualmente os grupos de romeiros saem também das suas paróquias.</p>
<p>O capítulo do texto visitacional referente a estas romarias começa por descrever as práticas da época, de carácter lúdico e festivo, como os bailes, as pernoitas em casas de romagem e o uso de instrumentos musicais. Segue-se depois o papel regulador da Igreja perante tais práticas, designadas, criticamente, de indecentes e indecorosas, por conduzirem a desordenados apetites e à promiscuidade. Tudo isto se resume em forma de ofensa a Deus, em culpas e pecados graves :</p>
<p>4.°  Por me constar que alguns freguezes desta Parochia fazem Romarias à sim as cazas de Nossa Senhora como as de diversos santos desta ilha, não como motivo alg? de devoção, mas para que com esse meyo se facilitem na entrega de seos desordenados apetites fazendo as ditas Romarias com violas, instromentos, e bailes indecentes e indecorosos em companhia de várias mulheres, as quais pernoitão promiscuamente nas cazas das romagens, e hermidas, de que tudo rezulta grande escândalo e offensa de Deus, crescendo mais esta por converterem aquelle meyo das romarias, que introduzio a devoção pia de alg?s fiéis em culpas, e peccados graves, e para que estes de todo se evitem.</p>
<p>Na segunda parte deste capítulo, o visitador ordenava que o poder masculino – os maridos, pais, irmãos e tios – interviesse no impedimento da participação feminina :</p>
<p>Mando que neh?a mulher de qualquer estado, e condição que seja, faça romarias alg?as, nem os maridos, pais, irmãos, e tios conçintão que suas mulheres, filhas, e sobrinhas, que estejão debaixo de sua subgeição vão à ellas sub pena de quinze tostõis, que pagarão cada vez que contravier à este capitulo, e havendo alg?a mulher que tenha plena liberdade sem subgeição pagara dez tostois se asim o não observar (&#8230;)</p>
<p>A terceira parte requer que os reverendos leiam as ordens dadas pelo visitador e vigiem os transgressores, para que lhe sejam aplicados os devidos castigos :</p>
<p>(&#8230;) e mando aos Reverendos Parochos leião este capitolo nas estaçois à seos fregueses hua vez cada mes, e em special naquelle tempo proximo em que custumão fazer as ditas romarias, e examinem com todo o cuidado, e vigilancia os que delle forem transgressores, tomando-os a rol que mandarão ao ouvidor do districto para que os castigue, e execute nelles a pena subredita e quando esta não seja sufficiente para remedio desta grande culpa auizarão ao Illustrissimo Senhor Bispo para mandar proceder contra os culpados com maior rigor (&#8230;)</p>
<p>O texto não explicita se a proibição se aplica às romarias ou apenas à participação feminina nesta prática. No entanto, critica os divertimentos, condenando o facto de as referidas manifestações religiosas, introduzidas “por devoção pia”, terem degenerado em instrumento de pecado. O documento termina recomendando meios alternativos de “pagamento de promessas”, como a presença nas missas, a doação de esmolas, a realização de jejuns e a responsabilização dos párocos pela eventual falta de cumprimento das determinações do capítulo:</p>
<p>(&#8230;) e achando algua pessoa tem feito voto de romagem lho comutem : advertindo que pelas consequencias perjudiciais que dellas rezultão são mais agradaveis à Deus à do jejum, esmolas, ouvir missas e oraçõis, e havendose os Parochos omissos em executar o disposto neste capitulo se lhes dará em culpa na primeira vizita, como erro de officio.<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn9">[9]</a></p>
<p>Não obstante a insistência e a ameaça de castigos aos participantes, esta prática terá continuado, visto que ainda numa das visitas de 1743 a questão volta a ser focada com o mesmo vigor<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn10">[10]</a>.</p>
<p>Deprende-se do texto que as penitências e procissões espontâneas efectuadas durante as várias crises sísmicas que ocorreram na ilha são o resultado das romarias feitas às casinhas de Nossa Senhora e que estas evoluíram ao longo do tempo, tornando-se, no século XVIII, uma manifestação de cariz popular e possuindo formas e características festivas e lúdicas, como a dança e a presença de instrumentos musicais. É provável que a proibição desta prática tenha levado ao desaparecimento dos aspectos festivos, sexuais e lúdicos criticados pela Igreja, ficando só a tradição de visitar, em penitência, as casas de Nossa Senhora.</p>
<p>O que acabamos de expor pode explicar, em parte, o porquê do carácter popular que persistiu nas romarias. De igual modo, este poderá ser um dos argumentos justificativos da hipótese de os mestres serem inicialmente cantadores e improvisadores populares.</p>
<p>As romarias de hoje tendem a seguir uma regra muito mais escriptocêntrica, que evoluiu com as tecnologias da comunicação. De uma cultura puramente oral, passou a ser manuscrita quando o velho mestre começou a ditar as formas tradicionais da romaria e dos seus cânticos. A “normalização” foi-se afirmando, com a publicação e divulgação dos regulamentos escritos, com o conhecido “santinho” em papel oferecido a cada família que acolhe o romeiro, e também com o livro de cânticos, sobretudo litúrgicos, que o romeiro transporta consigo. Ainda encontramos mestres que nos contam como era o romeiro tradicional, as romarias de outrora, histórias que lhes foram transmitidas pelos seus pais e avós. Os cânticos e as orações tradicionais das romarias fazem parte deste repertório oral que vamos recontar nas linhas seguintes.</p>
<p><strong>2. As orações das romarias: tradição de uma transmissão oral</strong></p>
<p>A visita às casinhas de Nossa Senhora implicava um cântico ou uma oração em cada uma das ermidas visitadas, como forma de exaltar a presença e a penitência dos romeiros. Neste contexto, o mestre era e ainda é a figura central, o porta-voz do grupo, um cantador/orador que, pelo acto da palavra cantada, com a intenção de querer agradar ou agradecer a Deus visa a obtenção de um favor ou de uma recompensa, no fundo, uma Graça divina. A autenticidade destes cânticos encontrava-se sobretudo na capacidade de improvisação e também, como diz o Mestre Adriano Couto, no dom de “versar”, de cantar:</p>
<p>Mestre Adriano Couto : As orações todas, os cânticos já foi tudo feito já assim por cantadores, a gente ali chegávamos ao Salvador do Mundo é claro aquilo não é feito por mim nem por meu pai foi, era aqui dos Arrifes. O Daniel da Arruda que está para o Brasil, este homem é que tinha o dom de versar muito e ele ali como era amigo com meu pai ele ali fez-lhe as quadras ao Salvador do mundo quer dizer (e canta):</p>
<p>Ao Céu nos quis enviar</p>
<p>O nosso Adão segundo</p>
<p>Quem te não há-de louvar</p>
<p>Senhor Salvador do Mundo</p>
<p>e pega por ali abaixo sempre a cantar (…) quer dizer são tudo feitas, já se sabe que nem todos têm o dom, pode ser um grande doutor mas não tem o dom de improvisar<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn11">[11]</a></p>
<p>Para além do mestre, outro romeiro pode versejar ou cantar, se tiver este dom. A propósito, o mestre Adriano conta:</p>
<p>Mestre Adriano Couto: Havia oradores, sempre houve rapazes, homens que ajudam, sabem e que aprendem, embora às vezes há uns que têm mais dom do que outros, (…) porque é claro o dom nasce com a pessoa, às vezes a gente quer ter mas não chega a força, (…) mas há aquele que tem aquele dom de cantar e de decorar, porque aquilo, o próprio ali também é ter o dom do decore porque há muitos que lêem muito mas no fim decoraram pouco e depois é claro quando chegar a um sitio daqueles que a igreja esteja com muita gente e coisa. Também houve alguns padres que se chegaram a meter nisto também qual era a razão que o orador não tinha um livro não levava o livro e ia lendo, ia dizendo e tudo mais, mas é como a gente costuma a dizer uma coisa é ler e outra coisa é cantar, porque se ele tiver cantando com o livro aberto nunca mais se torna uma musica viva e é tal e qual como um padre que for pregar para um púlpito se levar um livro não tem graça aquele sermão, teve lendo, mas se for de cabeça erguida, olhos fitos na santa ou no santo, não quer dizer que ele não tenha de repente ali uns dados para não fugir daqueles momentos que vai falar<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn12">[12]</a></p>
<p>Como se repetia anualmente a visita às várias ermidas, os cânticos alusivos às mesmas, improvisados ou não, eram, igualmente, repetidos, e deste modo, memorizados e transmitidos. A comparação que o mestre Couto estabelece entre um romeiro que canta de livro aberto e um padre que faz um sermão revela que a autenticidade do cântico só pode existir pela voz do cantador, que transforma este acto em música viva. Porém, a palavra cantada “implica a presença do corpo humano, centro e instrumento psicomotor da improvisação e da memorização, receptor da mensagem, transformado em corpo-memória, detentor/guardião do saber tradicional.” (Lemaire, 2002: 95) Neste sentido, o cantador é considerado “um corpo estilizado numa atitude ritual, rígida, solene, no seu vestimentário convencional.”(Lemaire, 2002: 95) Com a presença de uma comunidade que compartilha o mesmo saber transmitido pelo cantador, o acto da palavra cantada atinge a sua  performance. É por esta razão que na visita a uma ermida ou igreja onde haja um público que vem para ouvir as orações e os cânticos do rancho, o orador/cantador não só canta para agradecer a Deus ou à Virgem mas também para agradar aos ouvintes. Quando o mestre ou o orador acaba de cantar, muitas das pessoas que testemunharam este momento dizem “Que linda canção” ou “Ele canta tão bem” ou ainda “Gostei muito de ouvi-lo cantar”. Não é apenas o tema ou o conteúdo do cântico que conta então, mas também a voz do cantador, o ritmo do cantador, os seus gestos e expressões faciais.</p>
<p>Das orações mais tradicionais há a destacar a chamada “Avé Maria dos Romeiros” cantada. Deste modo, ela tornou-se o distintivo musical da romaria e anúncio da chegada dos romeiros a cada localidade. É o ritmo lento deste canto, o seu carácter rigorosamente monocórdico e pungente, o peso atribuído a certas sílabas, o tom de voz austero e triste, que se perpetua como forma de tradição oral e memória colectiva.</p>
<p>Para além deste cântico tradicional, existe também a oração cantada em verso ou declamada ritmicamente em prosa à chegada a uma ermida ou igreja<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn13">[13]</a>. Esta oração é composta por vários momentos. Convém sublinhar que as ermidas visitadas pelos romeiros são apenas as que têm invocação a Nossa Senhora, aspecto tradicional das romarias de outrora. As orações diferenciam-se consoante a igreja se é de invocação feminina ou masculina, se tem a porta aberta ou porta fechada. Para esclarecer esses pontos, daremos alguns exemplos:</p>
<p><strong>Oração feita com a ermida ou a igreja fechada</strong></p>
<p>Orador: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo</p>
<p>Romeiros: Assim como era no princípio, agora e sempre. Amén.</p>
<p>O: Senhora ouvi a nossa oração</p>
<p>R: Chegue até vós o meu clamor</p>
<p>O: Que os anjos vos louvam, milhares e milhares de vezes, Soberana e Clementíssima Senhora, Amén.</p>
<p>O + R: Deus vos salve Maria, Filha de Deus Pai</p>
<p>Deus vos salve Maria, Mãe de Deus Filho</p>
<p>Deus vos salve Maria, Esposa do Espírito Santo</p>
<p>Deus vos salve Maria, Templo Sacrário da Santíssima Trindade. Amén.</p>
<p>Sino em Cruz, eu pecador confesso a Deus &#8230; (rezam o acto de confissão)</p>
<p>Orador:(momento das petições) Exemplo: por intenção de todas as pessoas desta paróquia, principalmente os mais necessitados. Pai­­?Nosso e Avé­?Maria (todos rezam um Pai-Nosso e uma Ave?Maria)</p>
<p>No fim das petições: E ao Espírito Santo, para que nos livre de todos os perigos que não nos podemos livrar, especialmente de fome, fogo, peste, guerras, mortes repentinas, perdições de almas e de corpos, Salvé­ Rainha (todos rezam uma Salvé Rainha)</p>
<p>O: Senhor Deus (repetido 3 vezes)</p>
<p>R: Misericórdia   (repetido 3 vezes)</p>
<p>O: Virgem Mãe de Deus e Mãe Nossa (repetido 3 vezes)</p>
<p>R: Alcançai o vosso amado filho, misericórdia (repetido 3 vezes)</p>
<p>O: Seja para sempre louvada a Sagrada Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo</p>
<p>R: Seja para sempre louvado com sua e nossa Mãe Maria Santíssima</p>
<p>O: (cantando)</p>
<p>Sois a Virgem de Israel</p>
<p>Por isso naquele dia</p>
<p>O arcanjo São Gabriel</p>
<p>Te chamou Avé Maria (e o rancho parte cantando a tradicional Avé Maria dos Romeiros)</p>
<p><strong>Oração feita com a ermida ou a igreja aberta</strong></p>
<p>Orador: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo</p>
<p>Romeiros: Assim como era no princípio, agora e sempre. Amén.</p>
<p>O: Senhora ouvi a nossa oração</p>
<p>R: Chegue até vós o meu clamor</p>
<p>O: Que os anjos vos louvam, milhares e milhares de vezes, Soberana e Clementíssima Senhora, Amén.</p>
<p>O + R: Deus vos salve Maria, Filha de Deus Pai</p>
<p>Deus vos salve Maria, Mãe de Deus Filho</p>
<p>Deus vos salve Maria, Esposa do Espírito Santo</p>
<p>Deus vos salve Maria, Templo Sacrário da Santíssima Trindade. Amén.</p>
<p>O: Dai-nos licença Senhora, para que entremos em vossa santíssima morada, e para que vos cantemos e</p>
<p>louvemos com temor e reverência pura e humildade. Amén.<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn14">[14]</a></p>
<p>Orador:(momento das petições) Exemplo: por intenção de todas as pessoas desta paróquia, principalmente os mais necessitados  Pai Nosso e Avé Maria (todos rezam um Pai­?Nosso e uma Ave­?Maria)</p>
<p>No fim das petições: E ao Espírito Santo, para que nos livre de todos os perigos que não nos podemos livrar, especialmente de fome, fogo, peste, guerras, mortes repentinas, perdições de almas e de corpos, Salvé Rainha (todos rezam uma salvé rainha)</p>
<p>O: Senhor Deus (repetido 3 vezes)</p>
<p>R: Misericórdia   (repetido 3 vezes)</p>
<p>O: Virgem Mãe de Deus e Mãe Nossa (repetido 3 vezes)</p>
<p>R: Alcançai o vosso amado filho, misericórdia (repetido 3 vezes)</p>
<p>O: Seja para sempre louvada a Sagrada Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo</p>
<p>R: Seja para sempre louvado com sua e nossa Mãe Maria Santíssima</p>
<p>O: (cantando)<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn15">[15]</a></p>
<p>Sois a Virgem de Israel</p>
<p>Por isso naquele dia</p>
<p>O arcanjo São Gabriel</p>
<p>Te chamou Avé Maria (e o rancho sai da igreja ou ermida cantando a tradicional Avé Maria dos Romeiros)</p>
<p>A partir desses exemplos constatamos que ao longo da oração existem vários momentos a respeitar. O primeiro corresponde ao pedido a Nossa Senhora para ouvir a oração declamada ou cantada pelo Orador; o segundo diz respeito ao reconhecimento dos pecados, pelo acto de confissão; o terceiro é designado como o das petições, por intenções particulares e colectivas; o quarto corresponde ao pedido de misericórdia e ao louvor a Jesus Cristo e, por último, temos o cântico em verso, que permite a transição para a tradicional Avé-Maria cantada dos Romeiros.</p>
<p>A oração feita a uma ermida ou a uma igreja aberta torna-se, de uma maneira geral, muito mais completa e rica, porque introduz outros momentos, como o pedido de licença para entrar e para sair, assim como um maior número de quadras cantadas pelo Orador. É o que se chama cântico de entrada e cântico de saída. Relativamente a estes cânticos existem várias versões realizadas e transmitidas por vários mestres. No que diz respeito ao cântico de entrada, apenas expomos dois exemplos neste artigo:</p>
<p><strong>Oração a Nossa Senhora da Graça</strong><strong><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn16">[16]</a></strong></p>
<p><strong>I</strong></p>
<p>Oh Virgem Imaculada</p>
<p>Virgem Mãe do redentor</p>
<p>Sede a nossa Advogada</p>
<p>Lá no trono do Senhor</p>
<p><strong>II</strong></p>
<p>Senhora ajudai que a faça</p>
<p>A minha santa oração</p>
<p>Nossa Senhora da Graça</p>
<p>Dai-nos a vossa bênção</p>
<p><strong>III</strong></p>
<p>Estamos em vossa presença</p>
<p>E vos queremos visitarSenhora dai-nos licença</p>
<p>P’ra na Vossa casa entrar</p>
<p><strong>IV</strong></p>
<p>Entrai, entrai pecadores</p>
<p>Por esta porta sagrada</p>
<p>Vamos oferecer flores</p>
<p>À Virgem Imaculada</p>
<p><strong>V</strong></p>
<p>Ó Senhora as nossas flores</p>
<p>São tão poucas na verdade</p>
<p>Orações e algumas dores</p>
<p>E um pouquinho de amizade</p>
<p><strong>VI</strong></p>
<p>Eu vos peço uma bênção</p>
<p>Para esta freguesia</p>
<p>E p’ra todos que aqui estão</p>
<p>Nesta vossa companhia</p>
<p><strong>Oração a São Sebastião</strong><strong><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn17">[17]</a></strong></p>
<p><strong>I</strong></p>
<p>S. Sebastião dai-nos licença</p>
<p>Auxílio da Vossa Graça</p>
<p>Para que em Vossa presença</p>
<p>A nossa oração se faça</p>
<p><strong>II</strong></p>
<p>Oh meu S. Sebastião</p>
<p>Graças a Vós queremos dar</p>
<p>Vamos fazer a oração</p>
<p>P’ra vos poder venerar</p>
<p><strong>III</strong></p>
<p>Estamos em vossa presença</p>
<p>E vos queremos visitar</p>
<p>São sebastião dai-nos licença</p>
<p>P’ra na vossa casa entrar</p>
<p><strong>IV</strong></p>
<p>Entrai, entrai pecadores</p>
<p>Por este portão sagrado</p>
<p>Vamos oferecer flores</p>
<p>A São Sebastião humanado</p>
<p><strong>V</strong></p>
<p>Abençoado S. Sebastião</p>
<p>Recebe os nossos corações</p>
<p>Recebe a nossa oração</p>
<p>E as nossas petições</p>
<p><strong>VI</strong></p>
<p>S. Sebastião abençoado</p>
<p>Tende de nós compaixão</p>
<p>Fostes um Bravo soldado</p>
<p>Que defendestes a Nação</p>
<p><strong>VII</strong></p>
<p>Pecadores ajoelhai</p>
<p>Aqui neste duro chão</p>
<p>E com fervor rezai</p>
<p>O Acto de Contrição</p>
<p><strong>VII</strong></p>
<p>Pecadores ajoelhai</p>
<p>Aqui neste duro chão</p>
<p>E com fervor rezai</p>
<p>O Acto de Contrição</p>
<p>Estes cânticos são compostos por estrofes de quatro versos<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn18">[18]</a> de rima cruzada. Convém sublinhar que as quadras são cantadas pelo Orador e repetidas pelos romeiros<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn19">[19]</a> e que a notação em quadra oculta uma forma de cantar diferente. Na verdade, eles cantam em versos longos, de 15 ou 16 sílabas, repetidos.</p>
<p>Eles cantam assim :</p>
<p>Orador : Oh Virgem Imaculada Virgem Mãe do redentor</p>
<p>Romeiros : Oh Virgem Imaculada Virgem Mãe do redentor</p>
<p>Orador : Sede a nossa Advogada Lá no trono do Senhor</p>
<p>Romeiros : Sede a nossa Advogada Lá no trono do Senhor</p>
<p>Orador : Senhora ajudai que a faça A minha santa oração</p>
<p>Romeiros : Senhora ajudai que a faça A minha santa oração</p>
<p>Orador : Nossa Senhora da Graça Dai-nos a vossa bênção</p>
<p>Romeiros : Nossa Senhora da Graça Dai-nos a vossa bênção</p>
<p>Orador :Estamos em vossa presença E vos queremos visitar</p>
<p>Romeiros : Estamos em vossa presença E vos queremos visitar</p>
<p>Orador : Senhora dai-nos licença P’ra na Vossa casa entrar</p>
<p>Romeiros : Senhora dai-nos licença P’ra na Vossa casa entrar</p>
<p>Orador : Entrai, entrai pecadores Por esta porta sagrada</p>
<p>Romeiros : Entrai, entrai pecadores Por esta porta sagrada</p>
<p>Orador : Vamos oferecer flores À Virgem Imaculada</p>
<p>Romeiros : Vamos oferecer flores À Virgem Imaculada</p>
<p>(e assim sucessivamente)</p>
<p>O primeiro cântico é dedicado a Nossa Senhora da Graça e o segundo, a São Sebastião. A exaltação de um aspecto relacionado com a santa ou o santo é, muitas vezes, realçado, como se pode observar na sexta quadra da oração dedicada a São Sebastião, onde o mesmo é qualificado como um bravo soldado que defendeu a nação. Num meio popular, pouco conhecedor de Hagiografia, esta “defesa da Nação”, pode ser entendida como um “aportuguesamento” de São Sebastião, tornando­?o “um dos nossos”.</p>
<p>Nestes cânticos, pede-se tradicionalmente para entrar e para rezar o acto de contrição. O primeiro pedido é cantado na terceira e quarta quadras, e o segundo, na sétima quadra. Estes momentos são como que encenados, isto é, quando o Orador canta <em>Entrai, entrai pecadores</em>, os romeiros poisam os seus bordões no chão ou na parede e entram na igreja. Seguidamente, os romeiros ajoelham-se e rezam o acto de contrição, ao ouvirem o orador cantar: <em>Pecadores ajoelhai / Aqui neste duro chão / E com fervor rezai / O Acto de Contrição</em>. As restantes quadras (I, II, V e VI) são normalmente da autoria do orador, que muitas vezes as improvisa. Pode acontecer também que o mesmo as faça previamente ou então memorize as que lhe foram transmitidas por outros mestres</p>
<p>A visita termina com o cântico de saída, como o exemplo seguinte ilustra:</p>
<p><strong>I</strong></p>
<p>Já fizemos a oração</p>
<p>Senhora em vossa presença</p>
<p>Já nos quermos ir embora</p>
<p>Senhora dai-nos liçença</p>
<p><strong>II</strong></p>
<p>Senhora dai-nos licença</p>
<p>Que nos quermos ir embora</p>
<p>Venha em nossa companhia</p>
<p>A vossa graça senhora</p>
<p><strong>III</strong></p>
<p>A vossa graça senhora</p>
<p>Vai nossa companhia</p>
<p>Para podermos louvar</p>
<p>Esse teu nome Maria</p>
<p><strong>IV</strong></p>
<p>Ave que vóa mais alto</p>
<p>Quero de noite quero de dia</p>
<p>Na boca dos pecadores</p>
<p>É vóz da Ave-maria</p>
<p><strong>V</strong></p>
<p>Santa Virgem de Israel</p>
<p>Bendito aquele dia</p>
<p>Que Anjo S. Gabriel</p>
<p>Te chamou Ave-Maria<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn20">[20]</a></p>
<p>Este cântico, também feito em quadra, e cantado em versos longos, permite anunciar a saída do rancho de uma ermida ou igreja. Tal como no cântico de entrada, existem dois momentos tradicionais que devem sempre ser respeitados. O primeiro encontra­?se na primeira quadra, onde se pede licença para sair da igreja. Este momento permite aos romeiros preparem­?se para sair. O segundo encontra-se na última quadra e serve para introduzir o canto da tradicional Avé?Maria dos Romeiros, o que significa que o rancho se põe em marcha.</p>
<p>Estes são apenas alguns dos exemplos mais significativos das orações e cânticos tradicionais das romarias que foram sendo transmitidos até hoje. Outros, como por exemplo, o oferecimento a Deus ou à Virgem<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn21">[21]</a>, assim como a salva à cruz,<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn22">[22]</a> fazem parte integrante das orações tradicionais desta prática.</p>
<p>Relativamente ao ritmo e à melodia, podemos considerar que, de maneira geral, o canto das orações tradicionais dos romeiros é lento e monocórdico, com uma acentuação significativa em certas sílabas, sobretudo na última sílaba.</p>
<p>De facto, para cada oração cantada é-lhe dado um ritmo próprio, sendo umas feitas com um tom mais austero e triste, mais “arrastado” que outras. Deste modo, um dos aspectos fundamentais das romarias diz respeito ao tom e ao ritmo do conjunto de cânticos e orações que ainda hoje são reditos e cantados pela voz dos mestres ou oradores. Relativamente aos cânticos apresentados anteriormente, a letra varia, mas a tonalidade e o ritmo da voz permanece igual para cada rancho de romeiros, como nos testemunha o mestre Fernando Maré:</p>
<p>Mestre Fernando Maré: É diferente, a música é a mesma, o tom da Avé­?Maria e o tom desses versos é sempre igual, a música é sempre igual, agora a letra pode variar, o que não varia por exemplo é as salvas, antes de entrar na igreja, a salva que é isso por exemplo Deus vos salve Maria filha de Deus Pai &#8230; ou Seja para sempre louvada a paixao morte … isto também é sempre igual, isto não muda, mas o entrar na igreja cada um tem a sua letra &#8230;<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn23">[23]</a></p>
<p>E para que esta voz não se perca é necessário continuar a tradição, pois, como sublinha o Senhor Henrique Pimentel, “a letra para não esquecer é preciso estar escrito, mas a toada<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn24">[24]</a> como é que se pode escrever uma toada? Só a música. Mesmo pela escrita vai-se escrever as palavras, mas não tem toada.”<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn25">[25]</a> Isto significa que o tom de voz, a melodia e o ritmo destes cânticos só podem ser autênticos se transmitidos oralmente como ele próprio as aprendeu. A sua alteração ou desaparecimento implicará que a prova irrefutável da sua oralidade acabe também por desaparecer com a época que a viu nascer.</p>
<p>Apesar de haver uma continuidade no declamar e no cantar de certas orações, estas tradições tendem a perder-se, como nos conta o mestre Adriano Couto:</p>
<p>Mestre Adriano Couto: As tradicionais estão a perder um bocadinho, estão a perder até que eu já tenho falado muito nisso, porque isso começou e as orações tradicionais eram à virgem, porque os nossos primeiros saíram às casinhas de Nossa Senhora a pedir a Nossa Senhora clemência e a protecção do céu para a terra. É claro que nessa altura a gente pedia por intermédio a Nossa Senhora para que ela pedisse ao seu filho bendito que nos desse aquela graça de nos poder alcançar, a graça da gente ter a protecção e de nos valer naquelas grandes aflições. Aí continuavam as orações à Virgem, depois pegaram a haver o santíssimo e (…) já é do meu tempo (…) a gente dedicaram-se mais ao santíssimo, dedicaram-se porque quando a gente entra costuma-se a dizer : vai cumprimentar o pai e depois vai cumprimentar a mãe. Mas é o que eu digo a estes que já vão continuando : vocês não se esqueçam que se cantarem cânticos à Virgem é natural, não julguem que não é natural, é natural, fazer um oferecimento a Nossa senhora também é muito natural e ela oferece ao seu bendito filho, porque se pegarem só a cantar cânticos da igreja, deixar os cânticos tradicionais ou depois mais logo perde-se, perde a tradição que os nossos antepassados tiveram (…)<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn26">[26]</a></p>
<p>Torna-se, por isso, necessário manter este <em>corpus</em> de cânticos e orações tradicionais, que apresentam uma estrutura específica com momentos próprios e bem definidos para cada situação. É a notação musical de cada canto que permite reviver, na voz do mestre ou orador, as tradições orais dos nossos antepassados e que fazem desta prática um monumento vivo da memória colectiva.</p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>Após esta breve análise de algumas orações e cânticos tradicionais dos Romeiros de São Miguel, verificamos a importância da oralidade na transmissão, ou mesmo na produção e repetição dos mesmos. Esta oralidade supõe uma toada tradicional e um texto oral que, por definição, é móvel e aberto à improvisação, logo a variantes textuais e poéticas, como se pode constatar no caso das romarias micaelenses. Trata-se, por conseguinte, de romarias e não de uma só romaria, aplicando-se neste contexto o provérbio utilizado pelo mestre Artur Almeida <em>“ cada terra tem o seu uso / cada roca o seu fuso”</em><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn27"><strong><em>[27]</em></strong></a>.</p>
<p>Não é unicamente a oração ou o cântico composto por vários momentos que se torna fundamental, mas também a voz, o ritmo e a entoação no declamar e no cantar destas orações tradicionais. Deste modo, os cânticos em quadra feitos pelos mestres ou oradores são autênticos poemas orais constituídos apenas pela palavra e pela voz. Zumthor, em <em>La lettre et la voix</em> faz a distinção de <em>obra</em>, <em>texto</em> e <em>poema</em>. Para ele, <em>obra</em> significa “ce qui est poétiquement communiqué, ici et maintenant: texte, sonorités, rythmes, éléments visuels; le terme embrasse la totalité des facteurs de la performance (&#8230;)” (1987:243). Transpondo este conceito para os cânticos e orações tradicionais das romarias, podemos considerar que o texto oral atinge a sua performance quando ritmado e entoado pela voz do orador. Como salienta o  mesmo autor “Le <em>texte</em> est lisible; l’<em>oeuvre</em> fut à la fois audible et visible (&#8230;) Du <em>texte</em>, la voix, en performance, tire l’<em>oeuvre</em>. Elle s’asservit à cette fin, en les fonctionnalisant, tous les éléments aptes à la porter, l’amplifier, à accuser son autorité, son action, son intention persuasive.” (Zumthor, 1987:243). Por estas razões, nas romarias em questão, a toada tradicional e o texto oral adquirem muito mais valor que o texto escrito. A chegada a uma igreja ou a uma ermida implica não só um conjunto de cânticos e orações declamado e cantado por um corpo estilizado, mas também a presença de uma comunidade que, compartilhando o mesmo saber, vem presenciar um “jogo poético” cujo instrumento é a voz do orador. Se, em outras sociedades, a poesia ou a declamação tem lugar numa praça pública, como fazem os poetas populares do Brasil<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftn28">[28]</a>, no caso presente essas manifestações ocorrem em frente às ermidas e igrejas micaelenses. Assim, os cânticos e as orações tradicionais expostos neste artigo exemplificam a oralidade de uma tradição que permite alimentar uma memória ancestral não escrita e que faz parte da cultura popular e religiosa da ilha de São Miguel.</p>
<p><strong>Bibliografia</strong></p>
<p>A.P.I.S. Miguel Arcanjo de Vila Franca do Campo, <em>Livro de Capítulos de Visitas, (1674-1770)</em>, 30/07/1705, fls. 72-73</p>
<p>A.P. de São Jorge, Vila do Nordeste, <em>Livro de Visitas (1705-1811)</em>, 18/09/1705, fl. 68</p>
<p>A.P. de São Pedro, Nordeste, Livro de Visitas (1693-1811), <em>In Variedades Açorianas</em> (série manuscrita), José de TORRES, III : 103-148.</p>
<p>A.P. de Nossa Senhora do Rosário, <em>Livro de Visitas (1600-1743)</em>, 30/06/1707, fls. 102-103.</p>
<p>BURKE Peter, 1992. Religiosidade Popular. <em>In O Mundo como Teatro</em>, Estudos de Antropologia histórica, Difel, Memória e Sociedade, Lisboa, 109-128.</p>
<p>CANTEL Raymond, 2005, <em>La littérature Populaire Brésilienne</em>, Jean-Pierre Clément et Ria Lemaire (éd.), CRLA, Poitiers, 382 p.</p>
<p>CARVALHO, D. Manuel Afonso de, 1962. Regulamento dos Romeiros da Ilha de S. Miguel-Açores. <em>In Boletim Eclesiático dos Açores</em>, Diocese de Angra, 38-47.</p>
<p>COSTA Susana Goulart, 1999, Visitas Pastorais na Paróquia do Faial da Terra: apontamentos para o estudo das religiosidades de Antigo Regime: 1698-1765, <em>In Arquipélago</em>, Revista da Universidade dos Açores, 2<sup>a</sup> série, Universidade dos Açores, Ponta Delgada, III: 65-118.</p>
<p>Diocese de Angra, 2003. <em>Romeiros de São Miguel &#8211; Regulamento</em>. 50 p.</p>
<p>ENES, Maria Fernanda Dinis Teixeira, 1986.<em> </em>Um aspecto da Luta contra o Sincretismo da Cultura Oral, <em>In Revista de História das Ideias</em>, Coimbra, 8: 71-109.</p>
<p>?  1987. <em>As Visitas Pastorais da Matriz de São Sebastião de Ponta Delgada (1674-1739)</em>, Secretaria Regional de Educação e Cultura, Universidade dos Açores, Ponta Delgada,  287 p.</p>
<p>FERREIRA Francisco Melo, 1996. Breves Notas sobre a Tradição. <em>In Manuel Guerreiro (dir.) Revista Lusitana</em>, Ed. Centro de Tradições Populares Portuguesas e Ed. Colibri, Universidade de Lisboa, Lisboa, 15:81-91.</p>
<p>ESCUDEIRO, D. Aurélio Granada, 1989. <em>Regulamento dos Romeiros da Ilha de São Miguel-Açores</em>. Diocese de Angra, 10 p.</p>
<p>LEMAIRE, Ria, 2002. Passado-Presente e Passado-Perdido: transitar entre a oralidade e a escrita. <em>In Letterature d’America</em>, Revista trimestral, Ano XXII, Brasiliana, Bulzoni Editora, 92: 83-121.</p>
<p>ZUMTHOR, Paul, 1983. <em>Introduction à la poésie orale</em>. Editions du Seuil, Paris, 313 p.</p>
<p>?  1987. <em>La Lettre et la Voix de la «Littérature» Médiévale</em>. Editions du Seuil, Paris, 350 p.</p>
<hr size="1" /><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref1">[1]</a> Entre cerca de 30 e 200 romeiros.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref2">[2]</a> Esta transição entre <em>regulamento consuetudinário</em> para <em>regulamento institucionalizado</em> das romarias constituirá um dos temas da tese de doutoramento que estamos a preparar. O termo <em>regulamento consuetudinário</em> foi sugerido pelo nosso orientador Doutor Carlos Cordeiro, professor auxiliar com agregação da Universidade dos Açores.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref3">[3]</a> Agradeço especialmente a colaboração de: Adriano Couto, mestre do rancho de romeiros dos Arrifes ; Renato Cordeiro, romeiro do rancho dos Arrifes ; Fernando Maré, mestre do rancho de romeiros da Ribeira Seca da Ribeira Grande ; Artur Almeida, mestre do rancho dos romeiros de Agua de Pau ; Henrique Pimentel, antigo contramestre do rancho de romeiros de Agua de Pau ; Carlos Sousa Melo, presidente do grupo coordenador das romarias.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref4">[4]</a> Entrevista feita no dia 24/04/2006.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref5">[5]</a> Na Universidade de Aveiro, tive a oportunidade de participar num seminário sobre metodologia de transcrição de uma entrevista. O processo que utilizei baseia-se num método simplificado seguindo, de maneira geral, as propostas de Gail Jefferson, Alain Blanchet e Anne Gotman. As entrevistas completas serão publicadas, brevemente, num CD que acompanhará a minha tese de doutoramento.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref6">[6]</a> A palavra “repentista” é, até hoje em dia, utilizada no Brasil para designar um poeta e improvisador. Relativamente aos mestres romeiros, o senhor Carlos Sousa Melo explica que eles eram repentistas porque “&#8230; eram capazes através da história bíblica de fazer quadras, em honra e louvor aos santos padroeiros de cada localidade e de cada igreja e ermida que se visitava, repentinamente &#8230;”</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref7">[7]</a> Entrevista feita no dia 09/05/2006.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref8">[8]</a> São romarias, no sentido medieval da palavra, das quais hoje em dia se conservam muitas reminiscências.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref9">[9]</a> A.P. de Nossa Senhora do Rosário, <em>Livro de Visitas (1600-1743)</em>, 30/06/1707, fls. 102-103.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref10">[10]</a> A.P. de São Pedro, Vila do Nordeste, Livro de Visitas (1693-1811), 16/09/1743, fls. 140-141.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref11">[11]</a> Entrevista feita no dia 26/04/2006</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref12">[12]</a> <em>Idem</em>.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref13">[13]</a> Muitos dos cânticos tradicionais que fazem parte da <em>Colecção I – Orações e cânticos antigos </em>encontram-se sem indicação do seu autor.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref14">[14]</a> Este momento pode ser feito em prosa ou em quadra. A oração feita em quadra designada por <em>cântico de entrada</em> , será exemplificada posteriormente.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref15">[15]</a> Este segmento pode ser cantado assim ou então com várias quadras, entoadas pelo Orador e repetidas pelos Romeiros. Exemplificaremos o trecho feito em várias quadras e designado por <em>cântico de saída</em> nas páginas seguintes.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref16">[16]</a> Extraído de <em>Romarias.Colecção I Orações e cânticos antigos</em>.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref17">[17]</a> Extraído de <em>Romarias.Colecção I Orações e cânticos antigos</em>.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref18">[18]</a> A “quadra” é a forma poética mais tradicional de Portugal.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref19">[19]</a> O cântico do Orador e a repetição do mesmo pelos romeiros fazem­?se em todos os dois versos, isto é, em cada dístico.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref20">[20]</a> Transcrição literal extraída de <em>Romarias. Colecção I Orações e cânticos antigos</em>. A cópia manuscrita do original deste cântico encontra-se no anexo 1.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref21">[21]</a> O Oferecimento à Virgem ou a Deus é feito em prosa pelo Orador antes do chamado “momento do reconhecimento dos pecados” (isto é, da reza pelos romeiros do acto de contrição).</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref22">[22]</a> Normalmente, a Salva à Cruz, feita em prosa, é declamada pelo Orador no fim do dia e na freguesia onde o rancho pernoita.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref23">[23]</a> Entrevista feita no dia 27/04/2006.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref24">[24]</a> O termo “toada” é também utilizado na improvisação pelo repente brasileiro desta melodia tradicional, que é sempre a mesma e que permite às pessoas reconhecerem, desde o primeiro verso, o tipo de melodia que ele vai produzir.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref25">[25]</a> Entrevista feita no dia 08/05/2005.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref26">[26]</a> Entrevista feita no dia 26/04/2006.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref27">[27]</a> Entrevista feita no dia 20/04/2005.</p>
<p><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/DOSSIER%20CARMEN%20PONTE/ARTICLES_2005_2016/2005-2009/Artigo%20Universidade%20A%C3%A7ores/Artigo%20Ao%20encontro%20das%20tradi%C3%A7oes%20orais%20na%20pr%C3%A1tica%20Romeiros%20de%20Sao%20Miguel.doc#_ftnref28">[28]</a> CANTEL  2005.</p>
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		<title>Folhetos açorianos</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2015 17:54:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmen Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tradição oral e escrita]]></category>

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		<title></title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2013 16:32:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmen Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caracteristicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Os grupos das folias, nos Açores, são compostos por elementos do sexo masculino, de três a cinco, dependendo da ilha, trajando uma opa de chita vermelha e uma mitra na cabeça, sendo que nalguns casos usam um barrete ou ainda &#8230; <a href="http://www.tradicoes-acorianas.com/448/">Ler mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os grupos das folias, nos Açores, são compostos por elementos do sexo masculino, de três a cinco, dependendo da ilha, trajando uma opa de chita vermelha e uma mitra na cabeça, sendo que nalguns casos usam um barrete ou ainda um simples lenço amarrado na cabeça. Com a função de acompanhamento, são utilizados instrumentos de percussão, tais como o tambor, o pandeiro e, nalguns casos, os címbalos. Na ilha de S. Miguel, os foliões usam também a viola da terra, a rabeca e o acordeão.</p>
<p>Cantam num tom arrastado e monótono que varia de lugar para lugar. Sobre essas composições o escritor açoriano Carreiro da Costa, numa das suas palestras radiofónicas (08-06-73) intitulada “Alvoradas do Divino”, salienta que as cantigas cantadas pela folia “são composições de índole diversa, pois umas são líricas e profanas, outras religiosas, dedicadas a São João Baptista, à Virgem, à Sant’Ana e ao Espírito Santo, claro está.” Os seus cantares são assim conhecidos pela designação de alvoradas, possuindo características tradicionais e apresentando não só cânticos religiosos, como também profanos.</p>
<hr size="1" />Bibliografia:</p>
<p>COSTA, Francisco Carreiro da. “As folias do Senhor Espírito Santo”, in: <em>Palestras Radiofónicas Proferidas no Emissor Regional de Ponta Delgada</em>, F.C.C., S.D.U.A., texto manuscrito, [21-05-1948]; &nbsp;&raquo; Das folias e foliões do Espírito Santo”, in: <em>Palestras Radiofónicas Proferidas no Emissor Regional de Ponta Delgada</em>, F.C.C., S.D.U.A., texto manuscrito, [08-05-1970]; “Alvoradas do Divino”, in:<em>Palestras Radiofónicas Proferidas no Emissor Regional de Ponta Delgada</em>, F.C.C., S.D.U.A., texto manuscrito, [08-06-1973]</p>
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		<title>Estrutura e características gerais</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2013 10:56:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmen Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caracteristicas]]></category>
		<category><![CDATA[ceptro]]></category>
		<category><![CDATA[dominga]]></category>
		<category><![CDATA[espadim]]></category>
		<category><![CDATA[império]]></category>
		<category><![CDATA[mordomo]]></category>

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		<description><![CDATA[A estrutura genérica das festas do Espírito Santo compreende as “Domingas” que têm lugar ao longo de cada uma destas sete semanas, e o Império, que se realiza no domingo de Pentecostes ou da Trindade. Na base tanto das Domingas &#8230; <a href="http://www.tradicoes-acorianas.com/estrutura-e-caracteristicas-gerais/">Ler mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A estrutura genérica das festas do Espírito Santo compreende as “Domingas” que têm lugar ao longo de cada uma destas sete semanas, e o Império, que se realiza no domingo de Pentecostes ou da Trindade. Na base tanto das Domingas como dos Impérios encontra-se uma irmandade conhecida também por confraria, espécie de associação formada por irmãos que todos os anos sorteiam os cargos de mordomos para o ano seguinte. Os mordomos das seis primeiras Domingas, têm o dever de realizarem a sua respectiva coroação ornamentando o melhor quarto da casa que irá receber a coroa e a bandeira do Espírito Santo. Este quarto denominado “quarto do Espírito Santo” é composto por uma decoração de flores naturais e artificiais, verduras, toalhas brancas e sobretudo um altar onde a Coroa é posta no topo com o ceptro. O quarto é iluminado com velas e luzes dando-lhe assim um importante carácter lúdico. É neste quarto que se reza o terço todos os dias à noite e se canta em louvor do Espírito Santo. Após esse cerimonial religioso, sucedem-se as conversas, jogos, brincadeiras e canções de temática profana, muitas delas entoadas pela folia, entidade esta de extrema importância nesta festa e que apresentaremos mais adiante. É de salientar que as Domingas caracterizam-se por uma estrutura particularmente simples, marcada pela ausência de prestações alimentares significativas. Actualmente e após a reza do terço, o mordomo oferece doces e bebidas aos presentes. Para além desses ritos e festejos de características religiosas, destaca-se também a Coroação, cortejo solene em que são conduzidas a Coroa, a Bandeira, a Salva e o Ceptro<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/coloque%20octobre%20crla/ARTIGO/Artigo_saberes_sabores_Carmen_Ponte.doc#_ftn1">[1]</a> do Espírito Santo até à Igreja, onde no termo da missa o imperador ou imperatriz (geralmente uma criança) é coroado pelo padre. Trata-se de uma procissão em que cada personagem assume um papel importante, como é o caso, por exemplo, do “alferes da bandeira” que tem a função principal de levar a bandeira na coroação, ou o “Védor” também conhecido por “pagem da coroa” que é aquele que conduz a coroa para a igreja e que se encarrega do ritual cerimonial de a tirar ou pôr na cabeça do imperador, dando-lhe a beijar o ceptro. No fim da respectiva coroação, o mordomo oferece um lanche informal em sua casa às pessoas que o acompanharam no decurso deste acto processional. Todavia, é na sétima Dominga que a festa do Espírito Santo atinge o seu auge, altura em que o mordomo ou imperador tem a seu cargo, não só a coroação, mas também a organização da despensa, a distribuição das pensões, a função na igreja e o próprio império. O dia do Império que corresponde ao domingo de Pentecostes ou da Trindade, é o ponto culminante dos festejos.</p>
<hr size="1" /><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/coloque%20octobre%20crla/ARTIGO/Artigo_saberes_sabores_Carmen_Ponte.doc#_ftnref1">[1]</a> Na ilha de São Miguel, o Ceptro tem a denominação de “Espadim”.</p>
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		<title>Origem e tempo</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Mar 2013 10:42:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carmen Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[A origem destas festas é geralmente situada no século XIV em Alenquer e atribuída à Rainha Santa Isabel. Elas difundiram-se amplamente no continente e irradiaram-se para territórios povoados e colonizados pelos portugueses, como é o caso dos Açores. Com base &#8230; <a href="http://www.tradicoes-acorianas.com/435/">Ler mais <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A origem destas festas é geralmente situada no século XIV em Alenquer e atribuída à Rainha Santa Isabel. Elas difundiram-se amplamente no continente e irradiaram-se para territórios povoados e colonizados pelos portugueses, como é o caso dos Açores. Com base nos estudos feitos sobre esta festividade nos Açores, ela parece remontar aos tempos iniciais do povoamento deste arquipélago (século XV).<a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/coloque%20octobre%20crla/ARTIGO/Artigo_saberes_sabores_Carmen_Ponte.doc#_ftn1">[1]</a> O período consagrado à realização das festas do Espírito Santo, conhecidas também por “Impérios”, estende-se ao longo das sete semanas que medeiam entre o domingo da Páscoa e o domingo da Trindade.</p>
<hr size="1" /><a href="file:///C:/Users/Carmen/Desktop/coloque%20octobre%20crla/ARTIGO/Artigo_saberes_sabores_Carmen_Ponte.doc#_ftnref1">[1]</a> Cf. João Leal, <em>As Festas do espírito Santo nos Açores : um estudo de antropologia social</em>, Lisboa: Dom Quixote, 1994, 319 p.</p>
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